sábado, 10 de outubro de 2009

Discussões sobre as gramáticas

Encontro com a Turma do Formador José Cé
E.E.B. Aristiliano Ramos


Quando a criança chega à escola, já traz consigo uma linguagem. E o desempenho oral dessa linguagem se manifesta com predominância maior no início da sua escolarização, pois ela está apropriando-se da linguagem escrita. Portanto, em relação ao processo lingüístico da criança, observa-se uma defasagem entre o domínio do código oral e o do código escrito.
Há condições particulares no processo de produção escrita que requerem não só um tempo maior, como também persistência, para o seu desenvolvimento. Essas condições dizem respeito ao domínio de certos recursos lingüísticos (ortografia, pontuação, estruturação de frases e seu relacionamento, adequação lexical) e também de certos procedimentos de organização textual.
A própria situação de produção escrita requer maior grau de atenção e de concentração, por envolver as habilidades no domínio de suas regras e também pela exigência de maior precisão na forma e no conteúdo da mensagem.
Esta concepção da aprendizagem da língua escrita como uma aprendizagem da língua oral é ainda mais presente quando pensamos em noções tão importantes para o ensino da língua padrão, como são as de “falar bem,” e possuir uma “boa articulação”. Com efeito, muitas dificuldades da escrita foram atribuídas classicamente à fala.
O ensino tradicional obrigou as crianças a reaprenderem a produzir os sons da fala, pensando que, se eles não são adequadamente diferenciáveis, não é possível escrever num sistema alfabético. Mas, esta premissa baseia-se em duas suposições, ambas falsas: que uma criança de seis anos não sabe distinguir os fonemas do seu idioma, e que a escrita alfabética é uma transcrição fonética do idioma. A primeira hipótese é falsa, porque, se a criança, no decorrer da aprendizagem da língua oral, não tivesse sido capaz de distinguir os fonemas entre si, tampouco seria capaz aos seis anos de distinguir oralmente pares de palavras, tais como bala, mala. A segunda hipótese também é falsa, em vista do fato de que nenhuma escrita constitui uma transcrição fonética da língua oral.
A ação é a práxis humana em si, produtora de conhecimentos. O/a aluno/a
tem a sua práxis vinculada à prática social da comunidade ou do grupo a que pertence. Cada grupo social tem maneiras socialmente consagradas de enfrentamento dos problemas e a consecução dos objetivos compreende os conhecimentos desse grupo.
A assimilação e acomodação a essa realidade se dão em atividades interpessoais (Vygotsky). É participando na prática social, vivenciando as funções sociais da linguagem, da escrita, em situação de dialogicidade, que o/a aluno/a apreende o objeto de conhecimento.
É importante desenvolver na escola um trabalho de produção de texto que valorize o/a alino/a, seu contexto e a própria situação de produção. O processo criativo de produção vai emergir da própria interação verbal instaurada na participação ativa entre escola e comunidade.
Não se trata de substituir um padrão pelo outro, mas de ensinar o/a aluno/a a conhecer as diferenças nos planos fonético, sintático e lexical entre as duas variantes – a sua, a coloquial, e a oferecida como modelo pelo/a professor/a.
E a partir do material lingüístico, deve-se verificar quais são os aspectos lingüísticos que devem receber maior atenção.
É preciso ter em conta que pela experiência lingüística e na interação pela linguagem, na consciência das diferentes formas do discurso comunicativo e sua representação é que chegamos à análise da parte, enquanto expressão da totalidade da interação lingüística significativa socialmente.
As aprendizagens nas quais se compartilham significados não privilegiam a apreensão mecânica do saber, mas a apreensão das relações nele impressas. A tarefa de conhecer através da língua escrita, ao contemplar o pensar por relações, amplia as possibilidades mentais de lidar com a palavra – enquanto signo gráfico - representativa da realidade.
Compete à escola não só o repasse e socialização do saber, mas a socialização das formas mais elaboradas em termos de atividade mental que garantem a apropriação do conhecimento. Ao professor/a, caberá o compromisso de sua inserção como membro efetivo do grupo, organicamente vinculado ao ato de conhecer, sem dissociar a fala do escrever, isto é, conferindo à linguagem oral não o papel autoritário e estéril, mas o de instrumento coletivo de aprendizagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. BIANCHETTI, Lucídio (org.)Trama & texto. Leitura crítica. Leitura criativa. São Paulo: Plexus, 2006.

2. FERREIRO, Emilia e TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita.
Trad. Diana Myriam Lichtenstein, Liana Di Marco e Mário Corso. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.

3. JANTSCH, Ari Paulo, BIANCHETTI, Lucídio (org.) Interdisciplinaridade: para além da filosofia do sujeito. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.

4. MATENCIO, M. de L. Meirelles. Leitura, produção de textos e a escola: reflexões sobre o processo de letramento. São Paulo: Mercado de Letras, 2004.
(Coleção Letramento, Educação e Sociedade)

5. MATUI, Jiron. Construtivismo : teoria construtiva sócio-histórica aplicada
ao ensino
. São Paulo: Moderna, 1995.

6. PIAGET, Jean. A linguagem e o pensamento da criança. Trad. Manuel Campos. Rio de Janeiro: Fundos de Cultura, 1961.

domingo, 20 de setembro de 2009

O poder de transformação da leitura

“Escritores da Liberdade”, filme do diretor Richard LaGravenese, estrelado pela talentosa atriz Hillary Swank (duas vezes premiada com o Oscar, pelos filmes “Menina de Ouro” e “Meninos não choram”), baseado em história real, nos coloca em contato com uma experiência das mais enriquecedoras e necessárias. Sua trama gira em torno da necessidade de criarmos vínculos reais em sala de aula, conhecendo nossos/as alunos/as, despertando-os/as para suas histórias de vida.
Uma das cenas do filme foi a dinâmica apresentada pelas cursistas Carol e Môni. A técnica iniciou sendo colocada uma fita no chão e a seguir foram feitas as perguntas ao grupo. Quem concordava, posicionava o pé na fita.
As questões foram as seguintes:
•Você já se sentiu motivado/a no convívio com seus/suas alunos/as, acreditando estar na profissão certa?
•Na sua caminhada profissional se sentiu importante para a vida de seus/suas alunos/as?
•Conseguiu construir conhecimentos e meios de melhorar o seu ambiente escolar?
•Quem já se deparou com atitudes violentas de brigas e agressões entre alunos/as?
•Você já passou por uma situação constrangedora de violência, na qual foi alvo?
•Você acha os/as seus/suas colegas estão empenhados/as em adquirir novos conhecimentos?
•Sua escola procura oferecer ou tem atividades diferenciadas (modalidades esportivas, música, línguas etc) para os/as alunos/as?
As conclusões foram as mais intensas e variadas, porém esta mensagem permanecerá conosco: “Quando a vida é compartilhada, torna-se mais fácil superar os obstáculos!”







Encontro 17/09/09 - Ofic.2 PT6

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Novidades...

Os encontros do Gestar II - Turma Vespertina

Agora estamos nos encontrando no Salão de Atos, na 27ª Gered!
E não mais, no CEDUP Renato Ramos.
O grupo continua presente, trazendo relatos e demonstrando
que a prática pedagógica nas escolas está acontecendo
de forma criativa e dinâmica.




sábado, 12 de setembro de 2009

Amizades...

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Mário Quintana



Uma pequena homenagem para uma pessoa maravilhosa:
Professora Adelaide de Paula Santos
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O QUE É ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO?

Blog: Educação Global

“Alfabetização e letramento são coisas distintas que pouco a pouco vão se interligando,” sendo que, a alfabetização refere-se à capacidade de ler e escrever, ao passo que letramento está além desta prática.
Por isso, uma pessoa letrada é aquela que possui a capacidade de fazer uso social da palavra, ou seja, sabe ler o mundo. Portanto, não precisa ser alfabetizado/a.
Então, uma pessoa alfabetizada não é, necessariamente, letrada.
Uma boa dica, a cena do filme “Central do Brasil,” onde a atriz Fernanda Montenegro, representava uma personagem que era uma pessoa alfabetizada – letrada, ganhava dinheiro para escrever cartas para pessoas analfabetas, porém elas eram letradas, porque ditavam o que queriam comunicar.

Correio Lageano, Lendo e Relendo, p. 06, 02/09/09

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Pequeno Dicionário Lageanês

Leitura, Escrita e Cultura (fragmentos)- TP1

Cursista: Sônia Maria Schuvartz

1. Mais cruz! (quando se quer dar uma prova de valentia)
2. Desacorçoado (sujeito perdido, lerdo)
3. O tipo do jeito (quando se estranha a atitude de alguém)
4. Mas credo! (resposta a uma afronta)
5. Me repuna (desprezo por alguém)
6. Minhazarma (exclamação: Meu Deus do céu!)
7. Venha vindo! (advertência)
8. Mas porquiera? ...Ou mazoquiera? (questionamento)
9. Piriga! (Será que neva? Piriga...)
10. É de sartá butiá do borso! (quando algo é muito bom)
11. Vamo trechá? (vamos embora)
12. Encarangado/a (encolhido/a de frio)
13. D’já hoje ou treszontonte (data de algum evento)
14. Quedelhe? (primeiro site de busca lageano)
15. Negaciar (observar)
16. Algumas frases comparativas:
-Firme que nem palanque de banhado.
- Mais suado/a que tampa de marmita.
- Mais perdido/a que cego/a em tiroteio.
17. Maisss ta looko omeee do céu (para fechar com chave de ouro)

Fonte: Gazeta Serran – Lages, 13/07 a 26/07
Seção Barão com Milton Rodrigo, pág. 13
Um pouco mais de lageanês:

1. Acarcar – conter, empurrar
2. Agravar – ofender
3. Alazão – cavalo cor de canela
4. Apojo – leite extraído na parte final da ordenha manual
5. Baita – grande
6. Bombear – espiar
7. Cachaço – reprodutor suíno
8. Cacimba – vertente
9. Camargo – espécie de café espumante, misturado com o apojo (leite)
tirado na hora
10. Chamego – atração, paixão
11. Dar louvado – pedir a benção
12. De vereda – imediatamente
13. Fandango – baile
14. Gaudério/a – pessoa errante, sem ocupação
15. Macega – capim alto
16. Mangueira – grande curral construído em pedra (taipa) ou madeira
17. Piá, guri – menino
18. Pila – dinheiro miúdo
19. Ridicar – sovina, avarento/a
20. Tastaviar, testeviar, testavilhar – tropeçar
21. Tromenta – tormenta
22. Varar – passar de um local para outro

Fonte: Recorte de periódico sem identificação