sábado, 16 de agosto de 2014

Homenagem a Rubem Alves

Plantarei minha árvore

            Cantarei minha esperança.
            Pensarei que o primeiro a plantar uma árvore à cuja
            sombra nunca se assentaria foi o primeiro a pronunciar
            o nome do Messias.
            Algum dia o poder será dado à ternura.
            Venha,
            plante
            uma
            árvore
            comigo...
                                               (Rubem Alves)



sexta-feira, 26 de agosto de 2011

       
       Galpãozito


Livro: II Antologia Crioula de Poetas Lageanos


Autor: Renan de Córdova Melo


Galpão, mundo encantado

Onde profecei meus sonhos

Ali onde piás tristonhos

Desabafaram em mil artes.

Ali, dividi em partes

O que seria meu rumo

Onde decidi meu prumo

Fazendo da vida, apartes.

Pedaço de chão coberto

Quatro cantos, quatro esteios

E um maior bem no meio

Pra moldes de sustentação,

Onde desengana-se redomão

Atadito pelo queixo e bucal.

E um fogo como castiçal

Pra norteio de cada peão.

Galpão das horas mortas

Silêncio de inverno te invade.

Se um cusco ali faz alarde

Pressentindo algum vivente

Em busca de clima mais quente

Que esse vento frio na cara

E a fumaça subindo rara

Parecendo a alma da gente.

Local das rodas de mate

Em horas em que descansa,

Parece que a vida amansa

Com calor de fogo de chão.

Te aquietas, resignação

Após balbúrdias de inferno

Não deveria existir inverno

Se não houvesse galpão.

Na troca de idéias raras

Reanimam-se os campeiros.

Local onde os primeiros

Recolhiam-se das conquistas

Pra descansarem as vistas

Depois de tanto andar.

Na noite pareces altar

Com tuas luzes benditas.

Galpão, resumo de campo

Oficina rude dos campeiros

Onde em pealos certeiros

Reativa-se a memória.

Galpão que viu tanta glória

Desfilar por este chão

Sinônimo de tradição

Pedaço da nossa história.



          Mulher Serrana

Por Ulisses de Arruda Córdova


(Às heroínas anônimas de nossa formação)



Origem!? Diversas descendências...

Bem diferentes nas fisionomias

derivando de múltiplas etnias,

como a que veio dos Açores

(amantes da paz e flores)

que chega à Laguna pelos ventos

sobe pela estrada dos conventos,

e fixa-se no planalto e arredores

Também paulistas e bandeirantes

de outras regiões lusitanas

trazendo escravas africanas

vem para os rincões serranos

repelir invasores e castelhanos;

Porém se a estrangeira madruga

aqui já estava a nativa bugra

vivendo entre povos haraganos.

"Da miscigenação destas raças"

nasce o perfil da mulher serrana

definindo o fenótipo que emana

o amor à terra e a liberdade;

ensimesmada em mística bondade

faz história na solidão da prece,

no anonimato luta, fia e tece


NA INVERNADA DOS FARRAPOS


Na *Invernada dos Farrapos, há um cerro com vista longa,

Onde a batida da milonga é plangente nos corações!

Estandartes, pavilhões, em trapos, porém fulgentes,

E a alma da nossa gente tremulando nos brasões!



Capão grande, guarnecido por canelas e pinheiros,

Dentro dele um potreiro e taipas feito trincheiras;

Muita caça, gado alçado e pra fome de liberdade,

A honra e a fidelidade pra com as cores da bandeira!



Garibaldi e Teixeira à frente dos lanceiros negros

Dando a vida pelo apego e por um ideal na guerra!

Centauros brotam da terra e um brado forte proclama

A República Lageana, nos altiplanos da serra!



Ginetes das serranias, fortes como *Bois de Botas,

Entre varzedos e grotas, do império não foram escravos!

República fez-se em Lages! Glória no Santa Vitória!

Enaltecendo a história e a altivez de um povo bravo!



Nestes rincões de Anita, velho chão de todos nós;

A fibra dos bisavós foi legada à descendência,

Viva no modo e na essência – austeridade de um povo –,

Mas que peleia de novo na defesa da querência!



Na invernada dos farrapos, algum fantasma guerreiro,

De um boleador e lanceiro, que não sabe que morreu,

Cuida a linha do horizonte, que vem do *Santa Vitória,

Com invisíveis esporas nas horas santas de Deus...



Quem apeia pelo capão e longe alcança a vista,

Passa a alma em revista, e vê gaúchos em trapos!

Sentimento irretratável, que persiste ao tempo novo,

Dorme a história do meu povo na invernada dos farrapos.



*Invernada dos Farrapos: Nomenclatura dada a uma área de campos na localidade da Coxilha Rica, município de Lages SC, local de acampamento e combate das tropas republicanas, contra as tropas imperiais, durante a Revolução Farroupilha.

*República Lageana: simpática a causa republicana a região dos Campos de Lages, participa ativamente contra as forças imperiais, sendo proclamada no ano de 1839 a República Lageana.

* Bois de Botas: Elogio dado por Davi Canabarro ao destacamento de lageanos pela demonstração de força ao desatolar pesados canhões de um banhado.

* Santa Vitória: Passo no Rio Pelotas entre SC e RS onde se travou combate com vitória dos republicanos.



Melodia de Érlon Péricles, Cristiano Quevedo e Elton Saldanha – 3º Lugar e melhor tema sobre a região serrana Sapecada da Canção Nativa Lages SC

Ramiro Amorim

Publicado no Recanto das Letras em 10/08/2008

Código do texto: T1121736


Referências
 Poesias: http://www.recantodasletras.com.br/ Acesso em: Agosto, 2010

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Novos blogs:

     
             reciclagemcora.blogspot.com
             eebcoraliterario.blogspot.com
             resenhascora.blogspot.com
             pensamentosalinelarissa.blogspot.com
 

         “É através da Educação e da cultura



                         que a sociedades se faz,

                     que a humanidade se constrói

                    e que a democracia se consolida.”
    

                                          
                                             (Herbert José de Souza)


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Sinopse da avaliação

27ª GERED/Gestar II/2009 – Língua Portuguesa


O Programa de Formação Continuada possibilitou a inovação na prática docente, motivando os/as estudantes a participarem com entusiasmo e dedicação.
As atividades foram selecionadas, na maioria das vezes, pelo interesse dos/as estudantes, faixa etária e também, referentes aos conteúdos que estavam sendo trabalhados em sala de aula. Os TPs 3 e 6 foram utilizados com mais frequência, pois houve momentos que se retomavam alguns assuntos, como os gêneros textuais, sequências tipológicas, argumentação e reescrita de textos.
Os maiores problemas encontrados na produção dos/as alunos/as foram sobre concordância, regência e ortografia, constatando evolução neste processo de aprendizagem, através de atividades sistematizadas.
Nas estratégias de leitura, a dramatização conquistou muitos estudantes. Percebeu-se a importância do planejamento, principalmente, na organização das apresentações. E também, a contação de histórias proporcionou um excelente envolvimento com a leitura.
As atividades como as biografias, fábulas e sequências tipológicas (TP3), a escrita e seu desenvolvimento comunicativo, cartões (TP4), cadeias coesivas (TP5), textos publicitários, revisão e edição (TP6), dicionário dos/as jovens, a intertextualidade (TP1), arte e cotidiano, linguagem figurada, HQs (TP2), entre outras, foram oportunidades para discussões e trocas de experiências.
Vencer desafios em relação ao tempo para administrar os trabalhos foi um tanto angustiante, porém não desestimulador porque na medida do possível, todos/as estivemos envolvidas/os para obtermos os resultados gratificantes que conquistamos.
Os temas que mais promoveram a participação nas reflexões sobre Ampliando Nossas Referências foram os gêneros textuais: definição e funcionalidade (TP3), por que o/a aluno/a não lê? (TP4), coesão e coerência textual (TP5), auxiliando o/a estudante a editar (TP6), as questões ligadas ao ensino da gramática (TP2) e variação linguística: variantes em grau de formalismo (TP1).
E também, em relação ao ensino da língua, nos dias de hoje, é preciso inseri-lo no cotidiano, voltado para a realidade cultural e geográfica de cada um/uma. Sendo que, o planejamento é a garantia no sucesso do trabalho docente, através da elaboração de critérios, conteúdos e estratégias. Pois quem planeja domina as atividades propostas, sabe aonde quer chegar e quais os meios necessários para alcançar os seus objetivos.


Cursistas e projetos:

• nº de cursistas = 15

• total de alunos/as atendidos/as = 3 244 estudantes

• + formadora, 198 estudantes = 3 442 estudantes atendidos/as


1. Ana Cristina Wolff de Souza (Ceja – Lages)

Projeto: A interpretação sob um novo olhar

53 estudantes


2. Aurora Silva de Melo (EEB. Cel. Pinto Sombra)

Projeto: Prevenção às drogas na adolescência

710 estudantes


3. Carolina Daniel Goulart (EEB. Mauro Gonçalves Farias)

Projeto: Projeto de leitura

350 estudantes


4. Cassia Maria Correa de Oliveira (EEB. Mauro Gonçalves Farias)

Pré-projeto: A intertextualidade nas diferentes linguagens

110 estudantes


5. Daiane de F. O. L. do Vale (EEB. Godolfin Nunes de Sousa)

Projeto: Leitura, compreensão e produção textual

157 estudantes


Estéfani Zenfe (EEB. Mauro Gonçalves Farias)

DESISTENTE


6. Edna Santos Vargas  (EEB. Godolfin Nunes de Sousa)

Projeto: A leitura como requisito básico para a produção

150 estudantes


7. Michele Maciel  (EEB. Cora Batalha da Silveira)

Projeto: Estudo do Hino Nacional Brasileiro

44 estudantes


8. Mônica R. Ribeiro Lins de Souza (EEB.Rubens de Arruda Ramos)

Projeto: Projeto de leitura

360 estudantes


9. Salete Gomes Coelho (EEB. Nossa Senhora do Rosário)

Projeto: Tipos de gêneros textuais em sala de aula

350 estudantes


10. Sandra Regina Cevei (EEB. Nossa Senhora do Rosário)

Projeto: A leitura como requisito básico para a produção

60 estudantes


11. Sônia M. Schuvartz (EEB. Godolfin N. de Sousa)

Projeto: Variedade linguística x preconceito social

150 estudantes


12. Soraya L. M. Machiavelli (EEB. Aristiliano Ramos)

Projeto: Comunicação virtual, um futuro no presente

450 estudantes


13. Susana A. Detoffol  (EEB. Melvin Jones)

Projeto: Lages: 243 anos de História para contar e cantar

60 estudantes


14. Valquiria Correa de Moraes Alves de Oliveira (EEB. Mauro Gonçalves Farias)

Pré-projeto: A intertextualidade nas diferentes linguagens

240 estudantes


15. Vera Lúcia B. Furtado  (EEB. Aristiliano Ramo)

Projeto: Comunicação virtual, um futuro no presente

350 estudantes

sábado, 5 de dezembro de 2009

Avaliação: Aspectos relevantes

Diante de uma caminhada repleta de possibilidades referentes ao conjunto de propostas do Gestar II/LP, é o momento para repensarmos sobre as ações pedagógicas que garantiram o sucesso no desenvolvimento das atividades.
“Avaliar significa emitir um juízo de valor sobre a realidade que se questiona, seja a propósito das exigências de uma ação que se projetou realizar sobre ela, seja a propósito das suas consequências. Portanto, a atividade de avaliação exige critérios claros que orientem a leitura dos aspectos a serem avaliados.”
(Parâmetros Curriculares Nacionais, p.86)

Alguns questionamentos abordados na avaliação:

- Como foram selecionadas as atividades realizadas com os/as alunos/as?
- Quais os critérios para seleção dos temas a serem abordados nas aulas?
- Ao aplicar as atividades, quais as dificuldades encontradas?
- Ao corrigir os trabalhos da turma, quais foram os maiores problemas na produção dos/as alunos/as? Houve reestruturação ou reescritura?
- Nesse processo houve algum crescimento do texto do/a aluno/a?
- De que forma as teorias estudadas auxiliaram na preparação das aulas?
- Quais os “avançandos na prática” mais utilizados?
- Com relação ao Ampliando Nossas Referências, quais os temas que mais provocaram dificuldades?

Considerações importantes nas reflexões sobre a avaliação...
“No ensino da língua, interagir com a realidade do/a aluno/a, de forma que a leitura faça parte de seu
cotidiano, motiva e facilita a aprendizagem.” (Susana A. Detoffol)
“Com o Gestar II, houve uma nova forma de ensinar, desvinculando o tradicional para uma visão mais ampla dos conceitos.” (Soraya M. Machiavelli)
“As aulas foram mais prazerosas e inovadoras.” (Cassia Mª C. de Oliveira)
“Nos textos houve problemas de pontuação, ortografia, coesão e coerência, mas com certeza, através da reestruturação e reescritura, houve crescimento.” (Vera L. B. Furtado)
“Incentivei a leitura, levando vários livros para os/as alunos/as lerem e observarem os/as autores/as, bibliografias, entre outros assuntos direcionados.” (Salete G. Coelho)
“Gostei e trabalhei mais com as propostas dos TPs 6, 1 e 2.” (Valquiria C. de Moraes A. de Oliveira)
“As teorias estudadas deixaram as aulas práticas mais divertidas, ampliando e complementando meus conhecimentos.” (Mônica R.R.L. de Souza)
“As atividades foram selecionadas de acordo com o planejamento anual. Desta forma, os conteúdos programados foram trabalhados de maneira mais atrativa.” (Sonia Mª Schuvartz)
“Não encontrei dificuldades, pois na maioria das atividades os/as alunos/as demonstraram interesse ao desenvolvê-las. Talvez, a única, foi com relação ao xerox...” (Edna S. Vargas)
“Os/as alunos/as desenvolveram de forma bastante positiva as atividades, construindo assim seu próprio saber.” (Sandra R. Cevei)

O tempo é um fio
            Henriqueta Lisboa

O tempo é um fio
bastante frágil.
Um fio fino
que à toa escapa.

O tempo é um fio.
Tecei! Tecei!
Rendas de bilro
com gentileza.
com mais empenho
Franças espessas.
Malhas e redes
com mais astúcia.

O tempo é um fio
que vale muito.

Franças espessas
carregam frutos.
Malhas e redes
apanham peixes.

O tempo é um fio
por entre os dedos.
Escapa o fio,
perdeu-se o tempo.

Lá vai o tempo
como um farrapo
jogado à toa!

Mas ainda é tempo!

Soltai os potros
aos quatro ventos,
mandai os servos
de um polo a outro,
vencei escarpas,
dormi nas moitas,
voltai com o tempo
que já se foi!...

“As coisas que queremos e parecem impossíveis
só podem ser conseguidas com uma teimosia pacífica.”
                                               Mahatma Gandhi

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Visita à E.E.B. Francisco Manfrói - 25/11/09



  As cursistas Leonete e Nadir nos convidaram para  conhecer sua escola e apresentar alguns trabalhos que estão sendo desenvolvidos.
                                A formadora Leopolda Pereira acompanhou a visita na escola.

                                                                                                                                                                              
 O Gestar II de Língua Portuguesa enriquecendo a prática docente.



A diretora Terezinha Ortiz, cursistas e formadora.



A linguagem das HQs.

domingo, 22 de novembro de 2009

Contação de Histórias

Contar histórias é uma arte milenar, presente em diferentes culturas. Embora em textos escritos antigos encontrem-se relatos e fragmentos da tradição oral, a preocupação com o registro escrito e a publicação dos contos populares é de certo modo recente. O sistema de transmissão dos contos não se fez uniformemente, assim como o processo de coleta e fixação, que variou de acordo com as diferentes motivações dos coletores e concepções de fidelidade às fontes. A questão não é simples e põe em debate o estatuto da "oratura" (ou "oralitura") em relação à literatura escrita, o jogo da subjectividade e da objectividade, as relações entre cultura erudita e popular, etc.
As coletâneas organizadas no século XIX e princípio do XX oferecem uma oportunidade de se "penetrar no universo mental dos camponeses, nos tempos do Antigo Regime", mas "o maior obstáculo é a impossibilidade de escutar as narrativas, como eram feitas pelos contadores", pois não podem "transmitir os efeitos que devem ter dado vida às histórias" - "as pausas dramáticas, as miradas maliciosas, o uso dos gestos para criar cenas" (Robert Darnton). Na passagem da palavra oral à escrita, embora se ganhe em possibilidades de permanência, perde-se "o grão da voz", como diria Roland Barthes. "Na narrativa oral, a Palavra é corpo: modulada pela voz humana, e portanto carregada de significações corporais; carregada de valor significante. Que é a voz humana senão um sopro (pneuma: espírito...) que atravessa os labirintos dos órgãos da fala, carregando as marcas cálidas de um corpo humano? A palavra oral é isto: ligação de cena e soma, de signo e corpo. A palavra narrada ganha uma inequívoca dimensão sensorial." (Adélia Bezerra de Meneses)
A função social dos contos e a importância do papel que desempenham dependem da época e do tipo de sociedade: nas sociedades tradicionais, as reuniões para ouvir e contar histórias eram práticas generalizadas e integralmente coletivas, como a dos contos à lareira dos camponeses do Antigo Regime, estudados por Darnton; Na sociedade em que vivemos, essas práticas, restritas à esfera da família e da escola, dirigem-se sobretudo às crianças. Recentemente, contudo, observa-se uma intensificação dessa atividade, e a narração de histórias vem-se expandindo significativamente, envolvendo diferentes faixas etárias e conquistando outros espaços. No Brasil, notadamente a partir da década de 90, multiplicam-se os contadores/as de histórias, que, de forma solo ou em grupos, atuam junto a um público variado e em diversos espaços, escolas, hospitais, eventos, internet...
Vale a pena ressaltar que, também nesse âmbito, evidencia-se o pioneirismo de Monteiro Lobato, ao recriar, no Sítio do Picapau Amarelo (1920-44), uma prática coletiva de leitura e contação de histórias com aspectos semelhantes a dos antigos contos de serão, em que adultos e crianças, sem distinção de sexo ou idade, participavam das reuniões.
Maria de Lourdes Soares (Docente na Universidade do Rio de Janeiro)

Dia da Contação de Histórias - E.E.B. Visconde de Cairu


Visita à E.E.B.Visconde de Cairu.

Estudo da oficina2, do TP1.


A coordenadora Janeth Telles Simas falou
sobre os resultados dos trabalhos referentes
ao Gestar II de Língua Portuguesa.


Sr. Giovane Manenti, diretor da escola.

Cursista Soraya L. M. Machiavelli participou da
contação de histórias.

domingo, 8 de novembro de 2009

Linguagem e Cultura

Linguagem e comunicação

Cursista Ana Cris apresentando seu projeto.


Cursistas trabalhando a oficina.

Organização das festeiras e do festeiro para o
próximo encontro.

Momentos de descontração...


Avaliação da oficina.

A linguagem no cotidiano
Imagine um político explicando sua plataforma política aos eleitores/as de uma forma que não os/as convence. É como se uma parte dele confiasse no plano e estivesse convencida de seus benefícios, mas outra parte sua tivesse dúvidas a respeito de sua eficácia. Por este motivo, a comunicação será vacilante, insegura ou artificial (exceção feita aos bons atores, atrizes e àqueles que convencem a si próprios). – Conferir texto: O perfil do político ideal, no blog, postagem sobre linguagem figurada.
Já, a mídia se utiliza da linguagem mista, sobretudo, a imagem e a música. Além disso, existem as novelas (linguagem oral) que manipulam extremamente o comportamento das pessoas. Há, sem dúvida alguma, uma relação de causa e efeito entre a cultura de massa e o comportamento. E com muitas outras linguagens além da linguagem verbal. Os costumes em geral, a moda, a alimentação, a linguagem. Até, criam-se modos de falar: “indiano, catarina, carioquês, gauchês, nordestês”...
Por isso que as novelas são muito mais atuais, pois estabelecem um distanciamento com a vida de hoje.
Porém, dialogar pode ser muito mais complicado do que parece. A comunicação não envolve somente a linguagem verbal articulada, como escrita e fala, mas também compreende a linguagem não verbal. Mais antiga, ela se desenvolve de maneira complexa na sociedade contemporânea e abrange outras linguagens – a moda, os gestos, as gírias, a arte, os sons e os sinais, entre outros.
MUNDO EDUCAÇÃO/2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Linguagem Figurada

A linguagem figurada está presente em várias situações de nossas vidas. Tanto na fala quanto na escrita, como em letras de música, poesia, prosa, prosa póética...
É comum encontrarmos:
- metáfora: “Ela é um doce de pessoa.” (comparação)
- metonímia: “Adoro Carlos Drummond de Andrade.” (substituição = obra do escritor)
- pleonasmo: “Olhou com olhos de misericórdia.” (repetição)
- onomatopeia: “Buum! A porta quase partiu!” (sons)
- personificação: “O vento uivou na esquina.” (atribuições)
- hipérbole: “Chorou rios de lágrimas.” (exagero)
- antítese: “Entre a paz e as guerras, temos a esperança de dias melhores.” (oposição)
- ironia: “Sabe tudo sobre política! Não sabia em quem para votar.” (criticar)
- catacrese: “Ergueu a cadeira pela perna.” (uso comum; não existe expressão)
- eufemismo: “Ele faltou com a verdade.” (mentira; suavizar)
Entre outros recursos de linguagem expressiva.

Alguns exemplos:

O perfil do político ideal

Quero agradecer a todos os amigos que têm se empenhado de coração para me ver candidato. Infelizmente não posso aceitar. Sei que os adversários de sempre vão insinuar que essa minha recusa não passa de tática eleitoreira. Acostumado que estou à calúnia das campanhas, não me espanta que o digam. Respondo também àqueles que de forma melíflua espalham boatos, dizendo que de qualquer forma eu não estaria preparado para o cargo. Mais mentiras. Meu interesse sempre foi tão grande que, quando governador, cheguei a propor a construção de um centro cultural no meu Estado. Na época fui combatido pela ousadia do empreendimento. Disseram que tudo não passava de conchavo com empreiteiros gananciosos.
Há ainda os que me acusam de nepotismo pelo simples fato de alguns membros de minha família fazerem parte da minha equipe de assessores mais chegados. Pergunto a esses que me achincalham sem pensar nas conseqüências: que culpa tenho eu se o acaso quis dotar de talento a competência exatamente essas pessoas ligadas a mim por laços consanguíneos? Devem pagar com o ostracismo pelo simples fato de serem meus irmãos, primos, tias e sobrinhos?
Quanto aos que me atacam, por duvidar da minha honestidade, respondo com a minha declaração de bens. Se às vezes me vi às voltas com processos de corrupção foi tão-somente por excesso de confiança nos homens públicos que cercavam, estes sim, verdadeiros responsáveis por vários desvios ocorridos durante os anos do meu governo.
Chegaram até me chamar de alcoólatra simplesmente por causa de inocentes coquetéis ingeridos durante infindáveis recepções oficiais, das quais, como político, não poderia jamais ter me furtado. Admito um ligeiro estado de euforia em algumas dessas festividades, mas nunca devido à bebida e sim, por causa das datas patrióticas nelas festejadas. Quem quiser confundir um mero escorregão provocado pela lisura do assoalho com os tropeções desajeitados de um bêbado que o faça: sei que a História me fará justiça.
Os mais canalhas chegam ao cúmulo de afirmar que quando eu era proprietário rural mandei eliminar meus adversários políticos valendo-me de jagunços acobertados pelo delegado local, homem íntegro e justo, somente acusado pelo fato irrelevante de ser meu cunhado. A esses, não dou nem a satisfação da resposta. Se, por coincidência, quinze do meus inimigos mais ferozes morreram de morte violenta, só tenho a agradecer ao cruel e merecido destino que lhes era reservado, sem que eu tenha movido um dedo para precipitá-lo.
Finalmente, me dirijo àqueles que, sem mais argumentos para me conspurcar com sua lama, vasculham minha vida íntima, chamando-me de devasso. Minha esposa e companheira por mais de vinte anos conhece a minha retidão. Reconheço que por deveres de Estado várias vezes tive de me ausentar do leito conjugal ao anoitecer, mas nunca para degradar-me com prazeres ilícitos e pecaminosos e sim para lutar de peito aberto contra os que sempre conspiraram, na calada da noite, contra a Democracia e a Liberdade.
(Jô Soares)

....................

Não sei se a vida é curta
ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
Se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Amor que promove.

E isso não é coisa
de outro mundo.
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta,
nem longa demais.
Mas que seja intensa,
verdadeira e pura
Enquanto durar.
“Feliz aquele que transfere
o que sabe ...
e aprende o que ensina.”
(CORA CORALINA)

....................

Chá de jasmim

Ingredientes: Uma colher de chá das folhas do chá de jasmim para cada xícara de água fervente.
Preparo: Encha um bule em forma de pássaro com água do orvalho... ou das tuas lágrimas. Ponha-o em fogo brando até que a água comece a sorrir. Escute o suave ruído crescer até se tornar uma gargalhada .
Retire e despeje numa taça de porcelana, onde já repousam as folhas do chá de jasmim, colhido no terceiro mês da Lua Brilhante.
Mexa-o com uma colher vermelha pintada de dragões.
Depois cubra a taça com um pedacinho de seda azul – cor do céu depois da chuva. Sentirás um aroma doce como o do Jardim das Flores que não Murcham Nunca.
Leve a taça aos lábios e beba devagar sete pequenos goles.
Teu corpo ficará leve como a primeira névoa da manhã, e então, somente então, sentirás a felicidade suprema... (Chiang Sing)

domingo, 25 de outubro de 2009

Visita à E.E.B. Cora Batalha da Silveira, Lages/SC

PROJETO:

HINO NACIONAL BRASILEIRO

As cursistas Michele Maciel e Susy Christine Ramos Carbonera e Silva trabalharam a letra do Hino Nacional Brasileiro com os/as estudantes da 7ª02 e 8ª02, fazendo pesquisa em dicionários, no material “Pingo nos Hinos”, do autor Marcelo Redondo Silveira (Edição 2009/SC), leitura e interpretação com o livro “Juca Brasileiro e o Hino Nacional”, da autora Patrícia Engel Secco (Ziraldo e seus amigos).
Os/as estudantes mostraram uma versão dramatizada do Hino Nacional Brasileiro, no Salão de Apresentações da escola, através de declamações.
Estavam presentes, a comunidade escolar, a coordenadora do Gestar II, Janeth Telles Simas, as cursistas convidadas Carla Cristina de Liz da Silva, Neiva Machado Rafaeli e Geovana Buttner Oliveira Gasperin.
Devolução do Projeto: Hino Nacional Brasileiro


A cursista Geovana Buttner Oliveira Gasperin
aproveitou o momento para contar uma linda fábula.

Coordenadora do Gestar II, Janeth Telles Simas e
diretora da E.E.B. Cora Batalha da Silveira, Adriana Rafaeli.

Professora de História/Geografia, Mariza Lazzarin e estudantes da sétima 02.

Estudantes da oitava 02.

Cursistas: Susy C. R. C. e Silva, Carla C. de Liz da Silva,
Neiva M. Rafaeli e Michele Maciel.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Jeito de Mato

Paula Fernandes e Almir Sater

De onde é que vem esses olhos tão tristes?
Vem da campina onde o sol se deita.
Do regalo de terra que teu dorso ajeita.
E dorme serena, no sereno e sonha.

De onde é que salta essa voz tão risonha?
Da chuva que teima, mas o céu rejeita.
Do mato, do medo, da perda tristonha.
Mas, que o sol resgata, arde e deleita.

Há uma estrada de pedra que passa na fazenda.
É teu destino, é tua senda.
Onde nascem tuas canções.
As tempestades do tempo que marcam tua história
Fogo que queima na memória
E acende os corações.

Sim, dos teus pés na terra nascem flores.
A tua voz macia aplaca as dores
E espalha cores vivas pelo ar.
Sim, dos teus olhos saem cachoeiras.
Sete lagoas, mel e brincadeiras.
Espumas, ondas, águas do teu mar.



É uma simples homenagem,
Pela amizade que conquistamos...
Vídeo da música:Jeito de Mato (AMOR... Linguagem universal!)

sábado, 10 de outubro de 2009

Discussões sobre as gramáticas

Encontro com a Turma do Formador José Cé
E.E.B. Aristiliano Ramos


Quando a criança chega à escola, já traz consigo uma linguagem. E o desempenho oral dessa linguagem se manifesta com predominância maior no início da sua escolarização, pois ela está apropriando-se da linguagem escrita. Portanto, em relação ao processo lingüístico da criança, observa-se uma defasagem entre o domínio do código oral e o do código escrito.
Há condições particulares no processo de produção escrita que requerem não só um tempo maior, como também persistência, para o seu desenvolvimento. Essas condições dizem respeito ao domínio de certos recursos lingüísticos (ortografia, pontuação, estruturação de frases e seu relacionamento, adequação lexical) e também de certos procedimentos de organização textual.
A própria situação de produção escrita requer maior grau de atenção e de concentração, por envolver as habilidades no domínio de suas regras e também pela exigência de maior precisão na forma e no conteúdo da mensagem.
Esta concepção da aprendizagem da língua escrita como uma aprendizagem da língua oral é ainda mais presente quando pensamos em noções tão importantes para o ensino da língua padrão, como são as de “falar bem,” e possuir uma “boa articulação”. Com efeito, muitas dificuldades da escrita foram atribuídas classicamente à fala.
O ensino tradicional obrigou as crianças a reaprenderem a produzir os sons da fala, pensando que, se eles não são adequadamente diferenciáveis, não é possível escrever num sistema alfabético. Mas, esta premissa baseia-se em duas suposições, ambas falsas: que uma criança de seis anos não sabe distinguir os fonemas do seu idioma, e que a escrita alfabética é uma transcrição fonética do idioma. A primeira hipótese é falsa, porque, se a criança, no decorrer da aprendizagem da língua oral, não tivesse sido capaz de distinguir os fonemas entre si, tampouco seria capaz aos seis anos de distinguir oralmente pares de palavras, tais como bala, mala. A segunda hipótese também é falsa, em vista do fato de que nenhuma escrita constitui uma transcrição fonética da língua oral.
A ação é a práxis humana em si, produtora de conhecimentos. O/a aluno/a
tem a sua práxis vinculada à prática social da comunidade ou do grupo a que pertence. Cada grupo social tem maneiras socialmente consagradas de enfrentamento dos problemas e a consecução dos objetivos compreende os conhecimentos desse grupo.
A assimilação e acomodação a essa realidade se dão em atividades interpessoais (Vygotsky). É participando na prática social, vivenciando as funções sociais da linguagem, da escrita, em situação de dialogicidade, que o/a aluno/a apreende o objeto de conhecimento.
É importante desenvolver na escola um trabalho de produção de texto que valorize o/a alino/a, seu contexto e a própria situação de produção. O processo criativo de produção vai emergir da própria interação verbal instaurada na participação ativa entre escola e comunidade.
Não se trata de substituir um padrão pelo outro, mas de ensinar o/a aluno/a a conhecer as diferenças nos planos fonético, sintático e lexical entre as duas variantes – a sua, a coloquial, e a oferecida como modelo pelo/a professor/a.
E a partir do material lingüístico, deve-se verificar quais são os aspectos lingüísticos que devem receber maior atenção.
É preciso ter em conta que pela experiência lingüística e na interação pela linguagem, na consciência das diferentes formas do discurso comunicativo e sua representação é que chegamos à análise da parte, enquanto expressão da totalidade da interação lingüística significativa socialmente.
As aprendizagens nas quais se compartilham significados não privilegiam a apreensão mecânica do saber, mas a apreensão das relações nele impressas. A tarefa de conhecer através da língua escrita, ao contemplar o pensar por relações, amplia as possibilidades mentais de lidar com a palavra – enquanto signo gráfico - representativa da realidade.
Compete à escola não só o repasse e socialização do saber, mas a socialização das formas mais elaboradas em termos de atividade mental que garantem a apropriação do conhecimento. Ao professor/a, caberá o compromisso de sua inserção como membro efetivo do grupo, organicamente vinculado ao ato de conhecer, sem dissociar a fala do escrever, isto é, conferindo à linguagem oral não o papel autoritário e estéril, mas o de instrumento coletivo de aprendizagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. BIANCHETTI, Lucídio (org.)Trama & texto. Leitura crítica. Leitura criativa. São Paulo: Plexus, 2006.

2. FERREIRO, Emilia e TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita.
Trad. Diana Myriam Lichtenstein, Liana Di Marco e Mário Corso. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.

3. JANTSCH, Ari Paulo, BIANCHETTI, Lucídio (org.) Interdisciplinaridade: para além da filosofia do sujeito. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.

4. MATENCIO, M. de L. Meirelles. Leitura, produção de textos e a escola: reflexões sobre o processo de letramento. São Paulo: Mercado de Letras, 2004.
(Coleção Letramento, Educação e Sociedade)

5. MATUI, Jiron. Construtivismo : teoria construtiva sócio-histórica aplicada
ao ensino
. São Paulo: Moderna, 1995.

6. PIAGET, Jean. A linguagem e o pensamento da criança. Trad. Manuel Campos. Rio de Janeiro: Fundos de Cultura, 1961.

domingo, 20 de setembro de 2009

O poder de transformação da leitura

“Escritores da Liberdade”, filme do diretor Richard LaGravenese, estrelado pela talentosa atriz Hillary Swank (duas vezes premiada com o Oscar, pelos filmes “Menina de Ouro” e “Meninos não choram”), baseado em história real, nos coloca em contato com uma experiência das mais enriquecedoras e necessárias. Sua trama gira em torno da necessidade de criarmos vínculos reais em sala de aula, conhecendo nossos/as alunos/as, despertando-os/as para suas histórias de vida.
Uma das cenas do filme foi a dinâmica apresentada pelas cursistas Carol e Môni. A técnica iniciou sendo colocada uma fita no chão e a seguir foram feitas as perguntas ao grupo. Quem concordava, posicionava o pé na fita.
As questões foram as seguintes:
•Você já se sentiu motivado/a no convívio com seus/suas alunos/as, acreditando estar na profissão certa?
•Na sua caminhada profissional se sentiu importante para a vida de seus/suas alunos/as?
•Conseguiu construir conhecimentos e meios de melhorar o seu ambiente escolar?
•Quem já se deparou com atitudes violentas de brigas e agressões entre alunos/as?
•Você já passou por uma situação constrangedora de violência, na qual foi alvo?
•Você acha os/as seus/suas colegas estão empenhados/as em adquirir novos conhecimentos?
•Sua escola procura oferecer ou tem atividades diferenciadas (modalidades esportivas, música, línguas etc) para os/as alunos/as?
As conclusões foram as mais intensas e variadas, porém esta mensagem permanecerá conosco: “Quando a vida é compartilhada, torna-se mais fácil superar os obstáculos!”







Encontro 17/09/09 - Ofic.2 PT6

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Novidades...

Os encontros do Gestar II - Turma Vespertina

Agora estamos nos encontrando no Salão de Atos, na 27ª Gered!
E não mais, no CEDUP Renato Ramos.
O grupo continua presente, trazendo relatos e demonstrando
que a prática pedagógica nas escolas está acontecendo
de forma criativa e dinâmica.




sábado, 12 de setembro de 2009

Amizades...

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Mário Quintana



Uma pequena homenagem para uma pessoa maravilhosa:
Professora Adelaide de Paula Santos
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

(Fernando Pessoa)